Planejamento familiar e avaliação de reserva ovariana

Planejamento familiar e avaliação de reserva ovariana

Sempre ouvimos falar em planejamento familiar pensando em não ter mais filhos; métodos contraceptivos hormonais, laqueadura tubária, coito interrompido e toda e imensidão de opções que existem. No entanto nos últimos anos temos nos deparado com o termo planejamento familiar de uma forma preventiva e programada.

Pensar em ter filhos antes mesmo de estar pronto para concretizar esse objetivo tem se tornado um assunto freqüente nos consultórios de ginecologistas e especialistas em reprodução humana. Sabemos que as mulheres têm postergado a busca pela maternidade por diversos motivos e os principais são necessidade de estabilidade profissional, busca de parceiros ou idealização de formação familiar e segurança financeira, mas infelizmente os ovários não têm tempo para que o “momento ideal” chegue e desta forma pensar neste planejamento familiar tem sido essencial para aumentar as chances de, no futuro, poder realizar o sonho da maternidade.

No entanto podemos pensar neste “planejamento” através de outro termo que é a “autonomia reprodutiva” e assim permitir que além de “definir ter ou não ter filhos e quantos ter” a mulher possa ter a capacidade de decidir sobre a sua maternidade no seu tempo.

E para aquela paciente que nunca tentou gestar sempre vem a pergunta: e se eu tiver dificuldade? Será que eu vou conseguir engravidar? Será que eu tenho algum problema?
A orientação para investigação de infertilidade se dá após 12 meses de tentativas sem sucesso naquelas pacientes com menos de 35 anos, após 6 meses de tentativa nas pacientes entre 35 e 40 anos e a qualquer momento nas pacientes com mais de 40 anos.
Mas independente do tentar temos como avaliar nossa situação atual para que possamos ser verdadeiras “donas” desta autonomia reprodutiva?
Sim, temos e devemos.

Existem basicamente três formas de realizar esta avaliação e assim definir o seguimento na busca dessa segurança reprodutiva.
O exame mais falado nos últimos anos com esse objetivo se chama Hormônio Antimulleriano. Este hormônio é produzido pelas células dos folículos antrais que são os folículos guardadinhos dentro do nosso ovário e que foram produzidos quando ainda estávamos dentro da barriga das nossas mães. Este hormônio é como se fosse o medidor da nossa “poupança” e avalia a nossa reserva total. Este resultado permite ter uma ideia de como estamos do ponto de vista quantitativo e nos dá uma noção geral em relação ao esperado para cada idade. No entanto este exame não avalia em nada a qualidade dos óvulos e também não nos dá garantias de tempo, não temos como prever, por maior ou menor que seja esse valor, a idade da menopausa desta paciente, por exemplo.

As outras duas formas, que se complementam, para avaliar a reserva é a contagem de folículos antrais e a dosagem do hormônio FSH.
Os folículos antrais são aqueles que o nosso ovário disponibiliza a cada mês, para que com nosso estímulo hormonal normal um deles cresça, amadureça um óvulo e o libere. Avaliar quantos folículos antrais nosso ovário disponibiliza a cada ciclo menstrual nos dá uma ideia real da reserva naquele momento e permite saber o potencial do ovário ao ser estimulado. Em concordância com esta avaliação podemos dosar o hormônio FSH que é produzido lá no nosso cérebro na hipófise e “manda” mensagem para que o ovário funcione. Quanto melhor é este funcionamento ovariano, menor a quantidade de FSH que a hipófise precisa mandar para a corrente sanguínea para “estimular” o ovário. No entanto cabe lembrar que estas avaliações também são somente quantitativas pois a qualidade dos óvulos sempre vai ter a ver com a idade da mulher e só teremos como testá-la ao tentar engravidar.

Conversar sobre essa autonomia reprodutiva e as possibilidades existentes para avaliar a reserva ovariana e consequentemente orientar e aconselhar a paciente sobre as opções de preservação da fertilidade deveriam fazer parte de todas as consultar ginecológicas. Mostrar para a paciente as opções existentes permitirão que cada mulher tenha a possibilidade de tomar a sua melhor decisão no seu tempo e garanta sua autonomia reprodutiva.

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