O preparo do endométrio na FIV

O preparo do endométrio na FIV

Como o embrião se implanta no endométrio? Para que isso aconteça várias reações devem acontecer, a implantação é uma conversa bioquímica entre embrião e endométrio. Um manda sinais o outro responde e as etapas da implantação vão ocorrendo. Para isso embrião e endométrio devem conversar e falar a mesma língua. Quanto mais eles se entenderem melhor a chance de que a implantação ocorra.
Para isso a avaliação do endométrio é fundamental antes da TE.

O endométrio é uma camada das glândulas que cresce desde o início do ciclo menstrual exatamente para se preparar para a chegada de um embrião.
Se o embrião não chega ou não implanta o endométrio vai embora e isso é a menstruação.

A primeira fase do ciclo menstrual tem a predominância do estrógeno, hormônio que estimula esse crescimento do endométrio. Esse crescimento que acompanhamos pelo ultrassom. Ele idealmente deve ter pelo menos 7mm de espessura antes de iniciarmos a progesterona, segundo hormônio que faz transformações no endométrio para receber o embrião.
Além disso o endométrio deve ter um aspecto chamado trilaminar, pois se observam 3 linhas bem tênues na imagem. Idealmente ele não deve passar de 15 mm.

Um endométrio muito fino ou muito grosso diminui a chance do embrião se implantar. Esse preparo pode ser feito com uso de hormônios, que é o mais comum nos centros de reprodução ou podemos observar um ciclo natural sem medicamentos para fazer a transferência.

As avaliações do endométrio de rotina sem que se identifique um problema ao ultrassom são controversas. Existem exames de visão direta como a histeroscopia que é feito com uma ótica que é introduzida dentro do útero. Exames que analisam amostras de endométrio para detectar infecções e alterações de meio ambientes e exames que se propõem a dizer se o momento que estamos pensando em transferir o embrião é o mais correto. Também podem ser feitas avaliações da atividade imunológica neste endométrio que são as células NK. Todas essas avaliações foram mais ou menos estudadas e fazê-las de rotina é controverso. A indicação, portanto, é avaliada caso a caso dependendo da necessidade de cada mulher.

Existem também tratamentos para tentar fazer com que o endométrio cresça mais e se torne mais receptivo ao embrião. Esses tratamentos se baseiam além das doses maiores de hormônios na injeção dentro do útero de substância que estimulem o crescimento das glândulas. São tratamentos novos em alguns casos e sem grandes evidências científicas de sua real eficácia para melhorar o endométrio. Células tronco também já foram usadas com esse propósito.

O endométrio portanto é fundamental para a implantação do embrião. Por essa razão se o endométrio não está com as características de qualidade que desejamos a transferência não deve ocorrer. O congelamento de embriões é uma técnica bastante segura que deve ser utilizada nestes casos. Na verdade, a maior parte dos ciclos hoje são feitas com transferência de embriões congelados. Isso nos permite descongelar os embriões apenas quando estivermos tranquilos com a qualidade do endométrio que vai receber os embriões. Essas técnicas e condutas permitiram um aumento nas taxas de gravidez e de bebês em casa.

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