Em um tratamento de FIV, são muitas as etapas importantes para a conquista do sonhado “positivo”. O embrião tem papel de protagonista nessa jornada em busca de um bebê. Óvulo e espermatozoide se encontram e após a fertilização, começam as divisões celulares que dará origem a um novo ser.  

Existe uma forte relação entre a qualidade dos embriões e a taxa de sucesso na FIV. Por esse motivo, os embriologistas possuem a missão de minunciosamente analisá-los e classificá-los, antes de serem transferidos para o útero da futura mãe. Esse “embrião ideal”, é desejado por todas famílias tentantes. Se for identificado como blastocisto, já é motivo de comemoração.  A caminhada é árdua, às vezes longa, mas possível. Convido você a conhecer melhor a Jornada do Embrião.

O que é um óvulo maduro (MII)?

O óvulo no estágio de Metáfase II (MII) é classificado como maduro e capaz de ser fertilizado para um espermatozoide.

O que é uma FIV clássica?

Umas das técnicas da Fertilização in vitro é a FIV clássica. Consiste em colocar os óvulos e espermatozoides previamente preparados em uma placa de cultivo e deixar com que o espermatozoide fertilize o óvulo. A avaliação da fertilização se dá no dia seguinte.

O que é ICSI?

É umas das técnicas de Fertilização in vitro. A Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide consiste em pegar um espermatozoide com uma microagulha e injetá-lo diretamente dentro do óvulo. A avaliação da fertilização poderá ser analisada entre 16 a 18 horas após a injeção.

Como saber se o óvulo fertilizou?
Taxa esperadas de fertilização.

Após 16 a 18 horas já é possível observar os pronúcleos (PN) que se formam no citoplasma do óvulo. Se observamos 2 PN, quer dizer que este óvulo fertilizou (1 PN do óvulo e 1 PN espermatozoide). A taxa esperada de fertilização dos óvulos é de 75%.

Desenvolvimento embrionário, dia a dia (D1 a D5 ou D6).

Após a fertilização, começará o estágio de clivagem dos embriões. As células irão de dividindo exponencialmente, dia a dia até chegar o estágio máximo de desenvolvimento no laboratório que seria no 5° ou 6º dia, o blastocisto.

Qual a diferença de embriões em D3 e D5?

Embriões em D3 ainda estão em estágio de clivagem das células, por volta de oito células. O blastocisto já é um estágio mais avançado de desenvolvimento embrionário e de diferenciação das células, onde se tem a formação do trofectoderma (dará origem a placenta) e a massa celular interna (será a origem do feto).

O que é um blastocisto?
Qual a taxa de formação de blastocisto?

O blastocisto é um embrião que chegou no seu estágio máximo de desenvolvimento antes da implantação, geralmente no 5º dia de desenvolvimento. A partir daí, ele precisa ir para o útero e ter a chance de implantação ou precisa ser congelado no laboratório. Naturalmente, esse desenvolvimento ocorre nas trompas da mulher. 

Qual melhor dia para transferência embrionária, D3 ou D5? Taxas de implantação.

Essa decisão precisa ser individualizada e discutida com a equipe médica e de embriologistas. Pode-se transferir tanto em D3 quando em D5.

Quantos embriões podem ser transferidos?

O número total de embriões gerados em laboratório, não poderá exceder a oito, de acordo com a Resolução do CFM n°2.294, de 15/06/2021. Será comunicado aos pacientes para que decidam quantos embriões serão transferidos a fresco, conforme à nova medida. Os excedentes serão criopreservados.

O número de embriões a serem transferidos, é determinado de acordo com a idade:

– Mulheres até 37 anos: até 2 embriões
– Mulheres com mais de 37 anos: até 3 embriões
– Em caso de embriões euplóides após diagnóstico genético pré- implantacional:  até 2 embriões, independentemente da idade.
-Nas situações de doação de óvulos, considera-se a idade da doadora no momento de sua coleta.

Congelamento de embriões. Técnica e taxas de sobrevivência.

Hoje, é um recurso muito utilizado para manter armazenados os embriões excedentes ao tratamento, ter novas tentativas futuras e preservar a fertilidade. A técnica mais usada é a vitrificação, possuindo ótimas taxas de sobrevivência, acima do 95%.

Congelamento de óvulos. Técnica e taxas de sobrevivência.

Atualmente, é um recurso bastante utilizado para preservação da fertilidade, seja por motivos sociais ou por necessidade de realização de tratamentos como quimioterapia e radioterapia. A técnica mais usada é a vitrificação, apresentando ótimas taxas de sobrevivência, em torno de 85%.

Biopsia embrionária e estudo genético. Como funciona? Quando realizar?

Realizar uma análise genética do embrião para escolher o sexo do futuro bebê, nunca foi permitido no Brasil. Porém, a informação da análise de cromossomos sexuais feita através do teste genético pré-implantacional terminava por revelar o sexo do embrião, o que dava margem para uma eventual escolha, ainda que esse não fosse o objetivo inicial da família que expunha-se ao tratamento.

Por isso, a Resolução do CFM n 2.294, publicada em 15/06/2021, determinou que no laudo da avaliação genética do embrião, realizada para reduzir o risco de aborto e falhas de implantação no tratamento de Fertilização in vitro, só é permitido informar se o embrião é masculino ou feminino em casos de doenças ligadas ao sexo ou aneuploidias (alterações cromossômicas) de cromossomos sexuais.

O que é um embrião euplóide ou aneuplóide?

Embrião euplóide é aquele que apresenta o número de cromossomos dentro da normalidade (46 cromossomos). Embrião aneuplóide é aquele que tem alguma alteração cromossômica, podendo ser ganho ou perda de um cromossomo por completo ou parcialmente.

Por quanto tempo podemos deixar óvulos e/ou embriões congelados?

Por tempo indeterminado. A técnica de congelamento e o armazenamento correto a -196°C podem garantir a viabilidade dos materiais por muitos anos.

É possível recongelar embriões?

Sim. É possível e aplicado nos casos quando temos mais do que um embrião congelado na mesma palheta e o casal deseja transferir somente um. Ou ainda nos casos de embriões que estão congelados e decide-se por realizar a biopsia e estudo genético, por exemplo.

É melhor transferir embriões a fresco ou descongelado?

As taxas de implantação e gravidez clínica são semelhantes. Portanto, as duas formas são ótimas opções, dependendo somente da conduta médica e do laboratório de embriologia. Cada caso deve ser discutido individualmente e os procedimentos devem ser personalizados, de acordo com o que for melhor para cada paciente.

* Colaboraram como fonte neste texto a embriologista Aline Azevedo, da clínica Inventre, e a geneticista e diretora do Igenomix Brasil, Marcia Riboldi.