A jornada da vida feminina é dividida em três fases da mulher: dos 20 aos 30 anos, dos 31 aos 40 anos e dos 41 aos 50 anos.

Dos 20 aos 30 anos:

Do ponto de vista médico, essa fase da vida feminina é considerada a ideal para a gravidez. Estágio que a fertilidade da mulher está em alta, e o corpo apresenta um risco pequeno de ter problemas durante a gestação.  Por se tratar de óvulos jovens, a probabilidade dessa mulher ter um bebê saudável e sem falhas genéticas é maior. 

O número de óvulos de uma menina quando nasce é de aproximadamente 2 milhões, e esse “estoque” não vai aumentar e sim diminuir ao longo da vida. É ainda uma etapa ideal para investigação, a qual há possibilidades de prevenção e autoconhecimento, já que as mulheres sabem muito pouco sobre seu sistema reprodutivo. 

Investigações:

Vulvovaginites

São distúrbios da vulva e/ou vagina, causados por inflamação, infecção ou alterações na flora vaginal normal, decorrentes da ação de fungos, bactérias anaeróbicas, tricomonas, que é um protozoário, ou de um aumento exacerbado da flora normal de lactobacilos. Os sinais e sintomas clínicos são semelhantes, independentemente da etiologia subjacente e incluem: prurido vaginal, conteúdo vaginal alterado, com odor desagradável, dor na relação sexual, ardência ao urinar, irritação, eritema, manchas e queimação.

As infecções mais comuns como vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase são responsáveis por mais de 90% das infecções. São também as causas mais frequentes de corrimento vaginal patológico, podendo ser considerado como o principal motivo de consultas ginecológicas.

Essas infecções poderão ser diferenciadas por avaliação de sintomas, características do corrimento, pH vaginal, aspecto da microscopia e resultado de exames complementares. Como fatores de risco, têm-se qualquer agente que cause imunossupressão na mulher, como gravidez, diabetes, estresse, uso de anticoncepcional, antibióticos, obesidade, uso de DIU, hábitos de higiene inadequados, atividade sexual, entre outros. Além disso, pode ser causada por quadros que aumentem a umidade do trato genital e favoreçam a proliferação fúngica. 

Anticoncepção

É o uso de métodos e técnicas com a finalidade de impedir que o relacionamento sexual resulte em gravidez. Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados de várias maneiras. Reconhecem-se dois grupos principais: reversíveis e definitivos.

Reversíveis

Comportamentais – tabelinha, método do muco cervical (billings), da temperatura corporal e coito interrompido. Apresentam baixa eficácia.

De barreira – preservativo masculino e feminino (condom), espermicidas, diafragma, capuz cervical e dispositivo intrauterino.

Hormonais – pílulas anticoncepcionais combinadas ou de progestágenos, injetáveis, anel vaginal e adesivo transdérmico.

De emergência – pílula do dia seguinte.

Definitivos:

Esterilização cirúrgica feminina (laqueadura tubária).

Esterilização cirúrgica masculina (vasectomia).

Infecção do trato urinário

Infecções do trato urinário (ITUs) correspondem à presença de microorganismos patogênicos nas vias urinárias inferiores ou superiores. Tais infecções incluem cistite e uretrite (infecção da bexiga/trato urinário inferior) e pielonefrite (infecção do rim/trato urinário superior). Nas mulheres, a patogênese das ITUs começa com a colonização do intróito vaginal por uropatógenos da flora fecal, seguida pela ascensão pela uretra até a bexiga e, no caso de pielonefrite, até os rins pelos ureteres.

As ITUs são mais frequentes entre as mulheres, em comparação aos homens, e se estima que cerca de metade das mulheres terão ao menos um episódio de ITU ao longo da vida. As manifestações clínicas clássicas da cistite consistem em disúria, frequência urinária aumentada, urgência urinária e dor suprapúbica. Hematúria também é frequentemente observada. Nas pielonefrites são observadas dor no flanco e sensibilidade no ângulo costovertebral, além de febre.

Sabe-se que a bactéria mais frequentemente associada a tais infecções é a Escherichia coli, responsável por 60% a 80% dos casos. E. coli é um microorganismo normal da flora intestinal humana. Outros microorganismos, tais como Klebsiella spp., Pseudomonas spp., Enterobacter spp., Serratia spp., Klebsiella spp., Proteus spp. e Enterococcus spp., podem ser responsáveis por ITUs.

Um pequeno número de mulheres desenvolve quadros cronicamente recorrentes de ITUs. Dando origem, assim, à condição conhecida como ITU recorrente ou ITU de repetição, que é definida como o diagnóstico de três episódios de infecção no curso de 12 meses, ou dois episódios em seis meses, com comprovação de cura de cada um das partes após tratamento.

Infecção urinária

As mulheres estão sob maior risco para o desenvolvimento de ITUs do que os homens. Isso ocorre devido à proximidade entre ânus e uretra, e o fato da uretra feminina ser mais curta que a masculina contribuindo para maior ameaça de uropatógenos ascenderem ao trato urinário inferior. Outros fatores de perigo incluem gravidez, vida sexual ativa, menopausa, incontinência urinária, disfunção miccional e fatores obstrutivos.

Para mulheres com sintomas clássicos de cistite, nenhum teste adicional é necessário para fazer o diagnóstico. Já para as que apresentam sinais urinários atípicos, o diagnóstico é sustentado pela presença de piúria e bacteriúria na urinálise e/ou cultura.

Já os quadros recorrentes de ITU e pacientes com fatores de risco para resistência antimicrobiana necessitam de comprovação microbiológica, através de urocultura e antibiograma para direcionar o esquema antibiótico. Infecções do trato urinário recorrentes podem ter um impacto significativo sobre a qualidade de vida das mulheres afetadas. Alguns deles são modificáveis e/ou tratáveis, como comportamento sexual, uso de diafragmas (deve ser evitado) e atrofia urogenital (tratada com estrógeno tópico).

A realização de higiene perineal e micção precocemente após o coito, além da ingesta abundante de líquidos visando aumentar o débito urinário, pode contribuir para redução do risco de ITUs recorrentes. Para mulheres que apresentam quadros recorrentes de ITU relacionados à atividade sexual, uma alternativa é a antibioticoprofilaxia após a relação sexual (administração desses antibióticos após a relação sexual).

ISTS

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão entre os problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima a ocorrência de mais de um milhão de casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) por dia no planeta. Ao ano, a expectativa aproxima-se a 357 milhões de novas infecções, entre HPV, clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoniase.

São transmitidas principalmente por contato sexual sem o uso de camisinha, com uma pessoa que esteja infectada e, geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas anogenitais. O sexo desprotegido é a principal causa do aumento do número de casos das ISTs.

Regularmente, estas infecções são assintomáticas ou causam sintomas que afetam os órgãos genitais, como dor, vermelhidão, pequenas lesões, corrimento, inchaço, dificuldade para urinar ou dor durante a relação sexual. Para o diagnóstico assertivo, é necessário ir ao ginecologista realizar exames específicos. As complicações de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não tratadas incluem infecções do trato genital superior, infertilidade, dor pélvica crônica, câncer cervical e infecção crônica pelo vírus da hepatite e HIV, além de infecção pelo papilomavírus humano, causador dos condilomas e câncer do colo uterino e da vulva.

Para mulheres sexualmente ativas maiores de 25 anos, o rastreamento é recomendado para as seguintes doenças:

– Infecção genital por clamídia trachomatis e gonococo, anualmente;

– Triagem de HIV, uma vez (ou com maior frequência para aqueles com alto risco de infecção);

– Rastreamento do câncer de colo de útero e a vacinação contra o HPV são recomendados nessa faixa etária.

Algumas ISTs são de fácil tratamento e de rápida resolução. Outras, contudo, têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas, apesar da sensação de melhora relatada pelos pacientes. As consequências de algumas destas doenças quando não diagnosticadas e tratadas a tempo podem ser drásticas, inclusive levando ao óbito. Algumas podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, podendo provocar a interrupção espontânea da gravidez (aborto) ou causar graves lesões ao feto. Outras são passíveis de prevenção com vacina disponível em postos de saúde, como o HPV.

Doença inflamatória pélvica (DIP)

É uma infecção dos órgãos reprodutores femininos superiores (útero, tubas uterinas e ovários), que ocorre pela ascensão de agentes infecciosos pela vagina em direção aos órgãos internos. É uma manifestação clinica das IST’s. Uma em cada quatro mulheres com DIP apresentam sequelas a longo prazo. A infertilidade é uma delas, podendo afetar 30% a 40% das mulheres.

A DIP é causada mais comumente por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, mas pode ser considerada uma infecção polimicrobiana. Deve ser considerada em mulheres sexualmente ativas com dor no abdômen inferior e/ou durante o ato sexual, dor lombar, calafrios, náuseas, febre, fadiga, além de coceira, sangramento irregular e corrimento vaginal com odor forte.

Múltiplos parceiros sexuais (mais de dois em 30 dias) e atividade sexual sem preservativo são fatores de risco para IST’s e, portanto, para DIP com consequências graves na fertilidade. Pacientes com danos sérios às tubas têm risco de 30% de terem dificuldade para engravidar no futuro. Na presença de qualquer sinal ou sintoma de doença inflamatória pélvica deve imediatamente ser procurado o médico ginecologista para o diagnóstico correto e tratamento adequado. Em casos mais preocupantes, a paciente poderá ser internada para realizar antibioticoterapia venosa.

A maioria das infecções por clamídia e gonococos são assintomáticas ou minimamente sintomáticas nas mulheres. Logo, o rastreamento de infecção é, portanto, uma abordagem importante para identificar e tratar indivíduos infectados que, de outra forma, não seriam detectados, evitando complicações futuras. A prática do sexo seguro por meio do uso de preservativos é de fundamental importância na prevenção da DIP.

Endometriose

Doença inflamatória em que o endométrio, camada que reveste internamente o útero, se implanta fora dele, e encontra-se na cavidade pélvica atingindo os órgãos reprodutivos (como os ovários, útero, tubas uterinas) e os aparelhos digestivo e urinário (dor ao urinar, dor ao evacuar, com sangramento retal ou urinário). Outras informações na aba DIREITO À SAÚDE neste portal.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

É uma síndrome caracterizada por aumento de folículos ovarianos (mais de dez folículos menores que 10mm em cada ovário), irregularidade menstrual e aumento de androgênios, diagnosticado de forma clínica ou laboratorial. Para análise é necessário apresentar dois destes três fatores. Atualmente, acredita-se que seja uma doença metabólica que pode ter diversas consequências, além dos sintomas ginecológicos.

É uma das condições clínicas mais comuns entre as disfunções endócrinas que afetam mulheres em idade reprodutiva, tendo sua prevalência variando de 6% a 16%, dependendo da população estudada e do critério diagnóstico empregado. As principais características clínicas dessa síndrome são a presença de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia), com diferentes graus de manifestação clínica, e a anovulação crônica, definida por irregularidade menstrual e ciclos longos.

É importante ressaltar que a causa da síndrome dos ovários policísticos é multifatorial e não completamente elucidada. Uma série de disfunções nos sistemas endócrino (resistência à insulina), metabólico (obesidade) e reprodutivo (infertilidade) ocorre, mas várias outras doenças que também cursam com a presença de hiperandrogenismo podem mimetizar o mesmo quadro clínico, tais como tumores adrenais produtores de androgênios e outras disfunções endócrinas, devendo ser a SOP um diagnóstico de exclusão.

Síndrome hiper estímulo ovariano

É uma complicação dos tratamentos de reprodução assistida que ocorre quando um número exacerbado de folículos são produzidos pelos ovários. O principal sintoma, além do aumento do volume ovariano, é o extravasamento de líquido do espaço intravascular para o extravascular, ocasionando líquido livre na pelve, no abdômen e até no tórax. Os quadros podem ser leves, moderados e severos, sendo estes muito raros.

O tratamento se fundamenta em mudança de estilo de vida com dieta saudável (perda de peso) e uso de contraceptivos orais combinados, associados ou não ao uso de metformina, se não houver desejo de gravidez.

Também é recomendada atividade física intensa tipo aeróbica três vezes durante a semana, com duração de 60 minutos por dia. Podem ainda ser usados fármacos com potencial antiandrogênico como espironolactona, acetato de ciproterona, além de medidas cosméticas para a melhora do hirsutismo e da acne.

SOP e Infertilidade

A FIV é considerada a última linha de tratamento da infertilidade por SOP, indicada formalmente às mulheres que não engravidaram com a indução de ovulação para coito programado (ou, eventualmente, para inseminação intrauterina) ou, obviamente, quando existem outras causas de infertilidade, como comprometimento tubário ou infertilidade masculina. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos que se submetem à estimulação ovariana para FIV estão sob particular risco de desenvolver a síndrome de hiperestimulação ovariana e é necessário dar atenção às estratégias de minimização do risco, como uso do bloqueio hipofisário com análogos antagonistas do GnRH, agonistas dopaminérgicos (cabergolina), desencadeamento da maturação oocitária com análogos agonistas do GnRH e congelamento total de embriões para transferência em ciclo espontâneo posterior.

Malformações Müllerianas

As malformações uterinas, ou anomalias Müllerianas congênitas correspondem a espectro de anormalidades causadas por falha embriológica na fusão ou na recanalização dos ductos de Müller na formação de cavidade uterina normal. A incidência é difícil de determinar, visto que muitas portadoras são assintomáticas. Na população geral, os estudos mostram incidência de 3% a 5%. Na população com infertilidade, de 8%. No entanto, ao se considerar pacientes com perdas recorrentes, aumenta para 12% a 15%, podendo alcançar 25% nas com abortamentos tardios e partos prematuros.

A sintomatologia relacionada às anomalias Müllerianas variam de acordo com o tipo de defeito apresentado, porém com muita frequência são assintomáticas e podem não ser identificadas. Entretanto, se as anomalias uterinas não forem diagnosticadas nos anos iniciais da vida reprodutiva, as manifestações clínicas poderão ser observadas e diagnosticadas após complicações obstétricas como partos prematuros, abortos de repetição, restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia, apresentações anômalas, distocias no parto e aumento do número de cesarianas.

As principais manifestações clínicas são as relacionadas à dor cíclica ou crônica, sangramento uterino anormal, infecção do trato genital, que pode ocorrer no início da vida reprodutiva em decorrência de alguma obstrução ou ser associada à endometriose. As anormalidades uterinas não dificultam a concepção e a implantação. As anomalias congênitas do útero são diagnosticadas frequentemente durante as avaliações ginecológicas de rotina e como parte da investigação de infertilidade ou complicações obstétricas. Dessa forma, o exame ginecológico é o primeiro passo no diagnóstico. Algumas malformações no colo do útero e vaginais podem ser percebidas pela simples inspeção. Já as dilatações secundárias à obstrução do fluxo menstrual podem ser verificadas com a palpação.

O útero septado é a anomalia uterina mais comum. A ultrassonografia transvaginal ou pélvica e a histerossalpingografia são considerados a primeira linha de investigação, podendo ser indicada uma avaliação adicional com ultrassonografia tridimensional e ressonância magnética de pelve. Esses dois últimos são considerados os melhores exames não invasivos para o diagnóstico das anomalias uterinas. A histeroscopia diagnóstica pode ajudar a esclarecer essa hipótese também.

O tratamento para as anomalias uterinas congênitas é exclusivamente cirúrgico, visando restaurar a arquitetura uterina normal e preservar a fertilidade. Ele está recomendado para pacientes com perdas gestacionais recorrentes, devendo ser evitado em pacientes assintomáticas ou com infertilidade primária, pelo risco de morbidade cirúrgica. Pacientes com anomalias müllerianas, incluindo adolescentes, apresentam risco aumentado de apresentar anormalidades renais, esqueléticas ou da parede abdominal.

* Colaborou como fonte neste texto a médica especialista em reprodução assistida Tairane Lima, da clínica Geare Paraíba.

Dos 31 aos 40 anos:

Nessa fase da vida feminina a medicina ainda considera uma época propícia para a gestação. É o momento considerado ideal para muitas mulheres, devido à maturidade emocional, já que se sentem mais preparadas e nem tão jovens. Além de o organismo ainda estar apto para gerar um bebê.

Porém, quando a gestação não acontece, é, sem dúvida, a hora de investigar, pois é provável que exista perda da reserva ovariana. Após os 35 anos de idade, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminui. Por isso, quando há o desejo de adiar esse sonho pensar na preservação da fertilidade é algo relevante. Cabe a cada mulher conhecer sua saúde e possibilidades de forma ampla.

Sexualidade – Este tópico costuma ser um grande tabu, e muitas vezes nas consultas medicas é pouco ou mal abordado. A sexualidade consiste numa forma de comunicação consigo mesma e com o outro, permitindo conhecimento e bem-estar. Sexualidade está relacionada à personalidade, comportamento e liberdade.

Preservação da fertilidade – São técnicas de reprodução assistida que visam preservar gametas, embriões ou tecido gonadal para uso futuro. É indicada principalmente para mulheres sem plano de gestar e, devido à idade ou a outros fatores inerentes à perda da reserva ovariana, preocupam-se com a diminuição do número de folículos, conhecido com preservação social. É possível também ser realizada em pacientes que serão submetidas a tratamento oncológico, que pode resultar em diminuição desta reserva.

Falência ovariana / menopausa precoce – Falência ovariana ou insuficiência ovariana primária é definida como ausência de menstruação por 4-6 meses antes dos 40 anos, com avaliação do hormônio folículo estimulante acima dos limites considerados normais. A menopausa precoce é a perda da função ovariana (um ano sem menstruar) em mulheres com menos de 40 anos.

Miomas uterinos – Miomas são tumores benignos, que se desenvolvem geralmente na idade reprodutiva. As causas não são bem conhecidas, assim como os fatores de risco que poderiam predispor ao aparecimento. Acredita-se que história familiar, obesidade e puberdade precoce poderiam contribuir. Podem ter três localizações diversas, subseroso – desenvolve-se na parte mais externa do útero; intramural – surge no músculo uterino; e submucoso – dentro da cavidade uterina. Podem ter diferentes tamanhos e sintomatologia.

Pólipos endometriais – Os pólipos são projeções do endométrio para dentro da cavidade uterina. Podem ter diferentes tamanhos, ser únicos ou múltiplos, e ainda causar sangramentos e levar à infertilidade.

Adenomiose – É uma condição em que o tecido endometrial cresce para as paredes (miométrio) do útero. Pode se apresentar como um simples espessamento desta camada ou com alterações nodulares e até difusas de todo miométrio. É capaz de causar dor e ou sangramento, mas também pode ser assintomática em muitas pacientes.

Histeroscopia – É um exame ginecológico que visa identificar alterações na cavidade endometrial. Através de um aparelho chamado histeroscópio, se visualiza a cavidade endometrial permitindo realizar diagnóstico (histeroscopia diagnóstica) e tratar possíveis alterações (histeroscopia cirúrgica).

ISCA – Infertilidade (ou esterilidade) sem causa aparente é quando não se identifica algum motivo para a dificuldade de gestar naquele casal. É um diagnóstico de exclusão e afeta até 30% dos casais que têm problema em gestar.

Endoscopia ginecológica – É um procedimento que propõem-se, através de um aparelho chamado endoscópio, visualizar a cavidade pélvica ou a cavidade endometrial. Pode ser dividido em laparoscopia e histeroscopia.

Fisioterapia pélvica – Atua na reabilitação dos músculos do assoalho pélvico e pode ser realizada de forma preventiva ou terapêutica para diversas doenças ginecológicas, como incontinência urinaria e endometriose.

Falha de implantação – A definição deste tema é a ausência de gestação clínica em mulheres com menos de 40 anos, com transferência de pelo menos quatro embriões de boa qualidade em três substituições embrionárias. As causas podem ser relacionadas ao embrião ou à cavidade uterina, e à receptividade endometrial.

* Colaborou como fonte neste texto a médica especialista em reprodução assistida Rafaella Petracco, da clínica Fertilitat.

Dos 41 aos 50 anos:

Nessa etapa da vida as mulheres estão no limite do período fértil. A baixa reserva ovariana é um dos maiores “fantasmas” vividos pelo sexo feminino em idade madura, trazendo para sua realidade o drama da infertilidade. Muitos lutos são vividos intensamente e diferentes sentimentos experimentados pela primeira vez. 

Mas, graças à medicina reprodutiva a gestação torna-se possível, e os cuidados devem ser multiplicados, considerando essa gravidez de risco. Como tudo na vida, temos o ônus e o bônus. Para as mulheres nessa faixa etária a estabilidade financeira, maturidade, e vida mais organizada caminham junto à dificuldade de engravidar e todos os aspectos emocionais a serem elaborados e vividos.

Baixa reserva ovariana

As mulheres não produzem óvulos ao longo da vida. Elas têm a quantidade máxima de óvulos ou folículos com 20 semanas de idade gestacional, quando ainda estão no útero das suas mães. A partir daí se inicia o gasto de óvulos durante todos os meses de maneira ininterrupta, não importando a idade da primeira menstruação, o uso ou não de pílula anticoncepcional, o estilo de vida, etc.

A idade média das mulheres entrarem na menopausa no Brasil é em torno de 51 anos, fase em que virtualmente não existem mais óvulos nos ovários e os ciclos menstruais cessam. Por isso, o envelhecimento ovariano começa em torno dos 35 anos, se acelera em torno dos 38 anos e é muito mais rápido a partir dos 40 anos. Nessa fase, além da qualidade de óvulos diminuída, essas mulheres também apresentam uma quantidade disponível reduzida, o que é chamada de baixa reserva ovariana. Uma mulher aos 35 anos tem em torno de 70 mil óvulos disponíveis, enquanto que uma de 40 anos apenas 13 mil óvulos em média, o que representa 3% do seu total.

A reserva ovariana pode ser avaliada através de dois exames: o ultrassom transvaginal para contagem de folículos antrais, o qual o médico geralmente vai encontrar menos de sete ou oito folículos no total; e o hormônio anti-mulleriano, um exame de sangue que dá ideia da reserva ovariana total. O principal fator associado com a baixa reserva ovariana é a idade, mas existem outros que podem influenciar como cirurgia ovariana prévia, tabagismo, história familiar anterior de menopausa precoce, algumas doenças autoimunes, dentre outros.

Aborto de repetição 

Com o passar da idade, ocorre um envelhecimento natural dos óvulos, que se acelera principalmente após os 35 anos. Com isso, as mulheres passam a ter mais dificuldade para engravidar e também passam a ter mais chances de abortamentos relacionados principalmente com alterações cromossômicas do embrião. A síndrome cromossômica mais comum é a Trissomia do 21 ou Síndrome de Down, mas existem outras alterações como a trissomia do cromossomo 16, por exemplo, que também está relacionada a abortamento. Assim, uma mulher aos 25 anos tem chance de abortamento de cerca de 10%, enquanto aos 40 anos essa probabilidade chega a cerca de 35%.

A definição de aborto de repetição é bastante controversa na literatura médica, mas de forma prática quando a mulher apresenta mais de dois abortamentos esse diagnóstico já pode ser considerado. Fora a idade materna avançada é importante excluir outros fatores como trombofilias, malformações na cavidade uterina, razões imunológicas, alteração no cariótipo do casal, alta fragmentação do DNA do espermatozoide, etc.

Idade materna avançada 

Do ponto de vista reprodutivo, a mulher com 35 anos é considerada com idade materna avançada. Seus óvulos começam a perder qualidade mais rapidamente a partir dessa idade, tendo seu período de “ouro” entre os 20 e os 30 anos.

Aos 35, uma mulher tem em torno de 25% de todos os seus óvulos com alterações cromossômicas. Ou seja, sem capacidade de gerar um bebê saudável, ao passo que aos 40 anos esse número chega a cerca de 50% e aos 42 a cerca de 85%. Por esse motivo, com o avançar da idade o sexo feminino depara-se com maior dificuldade para engravidar, pois com uma qualidade mais baixa, o óvulo nem sempre é capaz de receber um espermatozoide e ser fertilizado da maneira adequada.

Além disso, é mais comum acontecerem abortamentos relacionados a alterações cromossômicas, já que na hora da divisão celular, que dará origem a um embrião saudável, o óvulo mais envelhecido não consegue fazer esse trabalho da forma mais apropriada. Pensando também na questão gravidez, existem maiores riscos obstétricos relacionados à pressão, diabetes e parto prematuro nas mulheres em idade materna avançada. Assim, para as que desejam postergar a maternidade o ideal é pensar no congelamento de óvulos antes dos 35 anos, fase na qual os óvulos ainda têm uma boa qualidade para ser preservada.

Climatério 

O climatério é uma fase de transição do final da vida reprodutiva da mulher para a última menstruação, chamada de menopausa. Esse período se caracteriza pela perda da reserva ovariana, e consequentemente da menor produção de estrogênio pelos ovários, que é o principal hormônio feminino. Nesta etapa, devido à flutuação hormonal, a mulher pode começar a apresentar como sintoma bastante comum a irregularidade menstrual. Essa instabilidade pode se apresentar como ciclos muito curtos e outros muito prolongados. Além das ondas de calor, sudorese excessiva, perda de libido e de massa óssea, depressão, diminuição da lubrificação vaginal, variações no humor, etc.

Logo, é fundamental o acompanhamento médico dessas mulheres, pois junto com essa fase que é normal, podem surgir alguns problemas como a osteoporose, por exemplo. Exames regulares, seguidos de boa alimentação, realização de atividades físicas com regularidade e cultivo de bons relacionamentos são medidas muito importantes nesse período.

Contudo, algumas mulheres precisarào de reposição hormonal, e, quando bem indicada, melhora bastante a qualidade de vida. A terapêutica adequada nos dez primeiros anos do climatério é capaz de auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares, bem como na perda de massa óssea. Existem diversas opções de reposição hormonal por diferentes vias como a oral, transdérmica, vaginal, e até mesmo implantes subcutâneos. Em certos casos, antidepressivos também são utilizados com objetivo de modular o humor e melhorar os sintomas vaso-motores, como os “calorões”.

Porém, a terapia hormonal não pode ser utilizada de forma indiscriminada. Entre as contraindicações para seu uso estão história prévia de câncer de mama, doenças do fígado descompensadas, trombose pregressa, sangramento vaginal de causa desconhecida, dentre outros.

Riscos obstétricos

Hoje em dia é cada vez mais comum as mulheres acima de 40 anos engravidarem, seja com óvulos próprios ou de doadora anônima. Nesta faixa etária, os riscos inerentes à gravidez em si aumentam e essas mulheres entram no grupo de gestantes de alto risco. Além de já apresentarem com mais frequência doenças pré-existentes como diabetes, pressão alta e obesidade, a chance de agravamento durante a gravidez é maior. O número de parto cesárea também pode ser mais elvado, devido ao agravamento desses problemas e a necessidade de intervenções de urgência. Por isso, um acompanhamento bastante criterioso de um obstetra no período pré-natal é de extrema importância.

As gestações provenientes de tratamentos de reprodução assistida estão associadas a maior risco obstétrico e perinatal quando comparadas a mulheres que engravidaram espontaneamente. Estudos sugerem que a manipulação e cultura dos gametas nos laboratórios de FIV poderia ser um dos fatores relacionado ao aumento das ameaças obstétricas. Entretanto, pode haver uma contribuição da própria infertilidade do casal neste cenário.

Trombofilias

Trombofilia é toda alteração do sistema hemostático (ou sanguíneo) capaz de causar uma trombose. A gravidez por si só já é considerada uma situação de trombofilia, pois o risco nessa fase é maior quando comparado a uma mulher não grávida. Esse perigo pode aumentar no puerpério em cerca de dez vezes.

As trombofilias podem ser hereditárias ou adquiridas:

Hereditárias:

– Mutação do Fator V de Leiden;
– Mutação do gene da protrombina;
– Mutação do MTHFR com elevação da homocisteína;
– Deficiência de Proteína C;
– Deficiência de Proteína S;
– Deficiência de antitrombina.

Adquiridas:

– Síndrome do anticorpo antifosfollipídeo (anticoagulante lúpico, anticardiolipina e beta-2 glicoproteína).

As trombofilias geralmente não são investigadas em consultas de rotina nos consultórios ginecológicos. Entretanto, em pacientes com histórico de abortamento recorrente, mau passado obstétrico (história de pré-eclâmpsia, eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, morte fetal intraútero antes das 34 semanas) e história familiar prévia devem ser averiguados. Como essa é uma situação mais comum em pacientes inférteis, os especialistas em reprodução assistida geralmente acabam fazendo essa sondagem antes de se iniciar um tratamento. Em casos de histórico prévio de trombose, o ideal é usar anticoagulante durante toda gravidez em doses adequadas a cada paciente considerando seu risco. Em pacientes com propensão à trombose e exames comprovadamente alterados, é adequado usar anticoagulantes em doses profiláticas durante toda gravidez ou no decorrer do primeiro trimestre de gestação apenas. Cada caso deve ser avaliado individualmente e outras situações como obesidade, tabagismo e história familiar devem ser levadas em consideração.

Ovodoação

Informações na aba TRATAMENTOS neste site.

* Colaborou como fonte neste texto a médica especialista em reprodução assistida Melissa Cavagnoli, da clínica Hope.